Wednesday, March 31
Cassiopeia numa noite de luar
Monday, March 15
Quantas histórias ficaram por contar
ao meu querido avô
Quantas histórias ficaram por contar
e telas em branco,
à espera,
que lhes gravasses memórias.
Seguiste sem despedida
procurando a Eternidade.
A dor preenche o vazio
e o mar embala
lembranças
perdidas no areal.
Sussurra sábias palavras,
que encantam o triste viver.
Todos os dias esperei
ouvindo,
ao longe,
os passos do amanhã.
Mas hoje percebi
que não voltas,
a casa,
para me abraçar.
Agradeço-Lhe
o privilégio
de ter contigo aprendido
que a vida não acaba aqui.
Ficam lágrimas de saudade
gravadas no coração
que jamais esquecerei.
Thursday, March 11
Amor caecus est
Só o silêncio perdura
A tua presença consumiu-me a alma.
Os teus gestos conduziram-me ao abismo.
A luz dos teus olhos cegou-me.
A tua voz ensurdeceu o meu coração e os teus gestos lançaram sobre mim um véu de profunda tristeza.
A dureza das minhas palavras desvaneceu perante o silêncio mudo.
Que dizer? O silêncio tornava-se ensurdecedor lutando por um lugar inexistente.
Aos poucos lançaste-me num canto escuro e frio donde parecia irracional sair.
As setas da tua frieza (que outrora me magoaram) passaram a resvalar na minha carapaça de seda.
Sonhei demasiado tempo; calei-me demasiadas horas e não vive um único segundo.
A peça continua. Mas a história não guarda lugar para ti. Tornaste-te indiferente.
Thursday, February 25
Espia de Deus
Guardo-te no coração. As lágrimas que não choro apoderam-se de mim. Sorrio. São lágrimas nos lábios que só tu consegues ver. Restam pedaços da alma que enchem o vazio. Só tu reconheces as lágrimas que nunca chorarei. Choras comigo em silêncio deixando um lenço bordado por ti. Agarro-o, com força, mas finjo não o ter.Tenho saudades... do tempo em que fazia os teus olhos meus. Sorrias com as vitórias e amparavas-me na tristeza. Protegias-me de longe pois conheces o meu mau feitio. Sei que sofres por mim; prefiro não ver. Lutei por tudo o que sou. Perdi. Vou deixando, aos pouco, pedaços de felicidade. O muro impenetrável começou a ruir. Perdi a máscara que me permitia continuar. Lembro-me de ficar enfeitiçada com a tua voz. Quero ser pequenina e voltar a perder-me no teu colo! Não deixas. Obrigas-me a crescer. Ando ao sabor do vento, sem saber onde ficar. Perdi-me no meu mundo que já não consigo reconhecer. Estendeste-me a mão. Orgulhosa, não suportei agarrar. Deixaste-me partir pois sabes que não conseguia ficar. Sofro para mim.
Soprou o vento. Espalhou os últimos pedaços. Fica o vazio. Resta-me o silêncio. Sei que estás aí. Só podes ser uma Espia de Deus.